A Casa Grande vai rachar

É incrível como têm gente que não abandonou a Casa Grande.
Está no sangue, no instinto de ser um “orgulhoso” opressor.
Está nos gestos, nos atos, no querer sempre ter escravos lhes servindo em pleno Século XXI.
São estúpidos humanos, que carregam uma carcaça moderna, mas que esconde no fundo uma alma enferma.

São os colonos portugueses de ontem, hoje estuprando e seviciando almas etéreas, boas e justas.
São bandeirantes digitais, empalando índios do amor, da vida e da generosidade.
São darwinistas sociais, passando por cima de tudo, de todos e gritando: “Só sobrevive o mais forte.”
Que já nasceu forte, por vastas quantias de ouro moderno, usadas como talcos em seus rabos frios, mas disfarçadas como méritos.

Você é um Domingos Jorge Velho com boa educação, mas com os mesmos péssimos hábitos.
Você é o que sobrou dos antigos usineiros e coronéis do Nordeste: impávido-estático
Você é um quatrocentão paulista, com dinheiro, mas com a alma falida.
E um dia você será um Teodorico Bezerra “da vida”: o último espécime entre a corja que aqui habita.

Pois há de surgir cada dia mais, Lampiões.
Antônios Conselheiros, das cidades aos sertões.
Carlos Marighellas, sem armas em punho, apenas com a paixão.
Lutando em “Guerrilhas do Araguaia” e do amor, explodindo bombas de bondade e de razão.

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Ícones de uma vida novelística

Eles se esgueiram pelos corredores limpos e desinfectados da sede da TV. Com aquela máscara que sorri um riso bizarro, medonho e plastificado.

Por dentro, gritam como loucos. A vontade é de matar. São intrépidos atores de vida, de tela, do plim plim.

São personagens do nirvana da babaquice. Maquiados, impecáveis, bochechas coradas e talco no ego.

São os bons moços da mediocridade de nosso cotidiano. Como numa novela água-com-açúcar. De tão doces enjoam, causam diabetes e matam.

Luciano Huck, Willian Bonner e Roberto Carlos são iguais. Personagens medíocres que servem para preencher com mais vazio, as nossas vidas vazias. Da irremediável urgência do nada, mas com uma linda capa. E quem compra o livro pelo o que lhe reveste? Todos nós.

Aí ficamos com o sonho de sermos iguais. O apresentador tagarela, falso e mercenário, mas que arrota bom mocismo. O cantor capenga, que não compõe, que é opressor, mas que se veste de bom moço, todo de azul, afinal, “essa luz só pode ser Jesus”. Ou o âncora e editor de TV charmoso, mas canalha, tendencioso, grosso e babaca, porém, que arrebata corações com suas caras e bocas e postura também de bom moço.

O bom mocismo fajuto que nos cerca é o suprassumo da imbecilidade, que nos transforma em zumbis e nos faz um exército do irreal, da mentira, da plasticidade. Somos a própria sociedade do espetáculo da mediocridade humana.

Esse bom mocismo maquiado me enoja. Ele é o capitalismo na sua essência: uma grande mentira.

Como já disse em uma poesia:
“Prefiro o bafo podre e o cheiro do ralo
Do que o perfume da mentira e o botox irreal
Guardados pela égide do poder do espetáculo
E consumidos como sexo num baile de carnaval.”

O banquete está na mesa: isopor e tinta fresca. Deleite-se.