Pretérito imperfeito

Congresso, regresso da vida e progresso da morte, é o show do BBB: Boi, Bíblia e Bala. Que manda nesse país, e aos poucos o mata, com saudosismo delirante de mente medieval e preconceito carnal, mas com retórica espiritual. Viajam no tempo, para nos fazer regressar em idade cerebral, mediocridade cognitiva vira lei, questionar vira pecado, e no céu da boca e na ponta da língua há Deus, mandando um hangloose do Diabo. Teoria Geral da Relatividade se mostra nas quebradas com o capacitor de fluxo, no Velho Oeste de cowboys parlamentares em duelos desleais. Enquanto o dinheiro jorra em partidos ditos cristãos, todos líderes em corrupção, esses se apegam a falsas morais que usam como engodo, para enganar pessoas legais, que acabam comprando cristo, a cada trinta moedas em dízimos dominicais. Aí nos orfanatos as crianças sem pais, todas abandonadas por casais heterossexuais, ficam à própria sorte, quando gente que ama sangue e odeia a ciência, tenta impor o conceito de família, excluindo os homossexuais, e se agarram hipocritamente ao DNA, plasma, hemoglobina e coagulação sanguínea.

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Domingo de praia

Pararam vários ônibus no Rio
Mas poderiam ser trens em Joanesburgo
Lotados de negros e negras
Afinal, a pobreza é suspeita
E aqui, ela tem uma cor em especial

Ligaram a TV
Na casa de uma família de bem
Para verem, horrorizados, o pior crime de um homem
O roubo
Que é o assassinato do consumo, o Deus do capital
E ganharam dos consumidores de notícias, apoio incondicional

Apoiando também as gangues de meninos bem criados
De corpos torneados e massa muscular que se mostra forçadamente
Nesse caso, como socos, ponta-pés e um cartão para os indesejados
Quase todos negros
Expulsos
Por um exército quase todo branco, que luta Jiu-Jitsu e reza antes de dormir

Como vencer essa guerra?
Segregando os segregados?
Espancando e os confinando em guetos já confinados?

Enquanto o ódio social explode como arrastão
O ódio de classes explode como segregação
E enquanto os descendentes da Senzala são personificados como o terror
Os descendentes da Casa Grande, assistem do alto e pedem uma praia só com sua gente

E quando se aproximar o próximo fim de semana, não se enganem, mamães. A gangue do bem, dos seus meninos dourados da Zona Sul, irá voltar a subir o morro, para comprar pó, de meninos iguais aos do arrastão, que roubaram o teu celular.

E há por aí, uma explicação para essas não cores:
“O branco representa a capacidade de refletir todas as cores.
Já o preto, absorve todas as cores.”

Todas as dores.

Ismo a esmo

Tudo é uma mentira
Comunismo, capitalismo e masoquismo
Não existiu nada do tipo
Em nenhum lugar.

E bradam salivantes, uivantes, turba e ilusão
Ódio, gangue, dedos apontados ou no gatilho da razão
Querendo deter a verdade absoluta de um dos lados
E quem distribuiu ou negou mais fatos/pratos?

Na base da mentira ideológica, o comunismo leva o ônus do mal
E no topo do picadeiro, o capitalismo cobra os direito$ da moral
Mas a moral é uma mentira na trajetória histórica ideal
Que no fim só serve como mantenedora de toda a desigualdade social.

Vocês são jovens, repetem múmias, se repetem, tornam-se decrépitos. Vocês são uma piada!

Réquiem para os indesejados

Imigrante
Ilegal
Filho de estupros
Vou para a terra de meu pai
Europeu, branco, colonizador
De sonhos, lucros e culturas
Rastejar por esmolas e piedade
Que nunca chegaram para mim
Nem para meus irmãos
Filhos não adotivos
Pois adotavam apenas o ouro, diamante, ferro e especiarias.

Filho de saques
Vou para a terra de meu pai
Colonizador de toda a produção e mão de obra escrava, barata
Rastejar por esmolas e piedade
Que nunca chegaram para mim
Nem para meus irmãos da África
Nunca filhos de fato, apenas motores do capitalismo
Que enche de ouro o rabo de apenas 1% da população mundial
Enquanto parte dos indesejados, como com pedra em seus sapatos, afunda no Mediterrâneo.
E como num balé do absurdo, corpos boiam no mar e formam a bandeira da União Europeia. O silêncio é quebrado: as fronteiras aplaudem, o capitalismo esconde a face… e a culpa. Mais uma vez.

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Na beira do mar

Mal nasceu
A vida furtada
Sem casa, nem pátria
E como onda
Rebentou na praia

Corpo esquálido
Sapatos antigos
Perder a infância vira regra
Homem em fuga num corpo de menino

Estamos no olho do furacão da história
Enquanto às margens
Um mar de gente
Afunda no mar do agora

Vergonha, vergonha, vergonha!
A humanidade precisa urgente
De um recall de fábrica

0800 Esperança. Alô? Tu, tu tu.
Ninguém na linha.

(Para o meno Aylan – e todos os meninos, homens, mulheres, que rebentaram e continuam rebentando nas praias da ignorância e da ganância (des)humana)