Medo e delírio numa agência bancária

No banco a fila não anda
Nada cresce
A porta trava
Segurança saca a arma:
Calças de um velho no chão
Assim como a sua dignidade.
Gregor Samsa assiste de longe
E logo vira inseto.
Josef K. não consegue sacar o seu salário
E entre o extrato não tirado e a expectativa não alcançada
Apodrece na prisão.
E você com a sensação de que nunca será atendido.

A vida segue
Com banqueiros de rabos cheios
E agências sem explosão.

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Garoar

Garoa fina cai
E me leva embora
Minha alma diluída
Na fina camada de água que se forma
Descendo bueiro abaixo
Como num tobogã de um parque de (des)diversão
O horizonte já não chama
Pois está cinza
Como a Fênix que nunca renasceu
E jaz agora em pó e carvão
Num churrasco não dominical do meu eu

Plantation

Horizonte em chamas
E meu corpo querendo queimar.
Um caminhão dos bombeiros
Rasga a estrada
E acaba com meus sonhos
De ficar e fincar o solo,
Fazendo renascer vida
Em nossa plantação.
Cana que adoça a boca
E faz cachaça para aliviar a mente,
Entre um gole e um petisco.
Mas por favor,
Não tira gosto, meu Deus
Só deixa enraizar e crescer lavoura,
Para alimentar nossa alma
E nosso amor,
Sem latifúndio.

vigiar e punir

a polícia mata. num beco escuro. escuros. em favelas habitadas. desabitadas para quem habita ruas iluminadas. para eles, gente que não é gente. apenas carvão na linha de produção. para queimar. e o tiro é à queima-roupa. queima carne. e tudo se forja. como provas. arma falsa na mão. cano. pólvora. cal e caixão.