Cidade Estuário

Que lindo o Recife Profundo,
O centrão da cidade,
Com seus riachos de esgoto,
Onde no vai e vem do vuco vuco
Comerciantes negociam sonhos
Por R$ 1,99.

Aqui o arco-íris é de poluição
E os unicórnios são cavalos magrelos
Que puxam carroças,
Maltratados,
E em cima das árvores não tem esquilos.
Aqui as árvores tem baratas,
Que passeiam por entre galhos e fios de alta tensão.

E a tensão fica relegada ao povo,
Que se desloca em velhos e caros coletivos,
Fazendo malabarismos para sobreviver,
Enquanto seres individuais
Passam em seus carros gelados
E fingem não ver.

Aqui é quase tudo preto,
Visceral,
Pés, chinelos, cyclones…
Sem atendimento VIP,
E gourmet
É só uma palavra estrangeira,
Difícil de ler.

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