República Federativa do Ódio

Primeiro o ódio espreita
E se deixa ver por entre brechas,
Depois como metade
Que se traveste de dualidade.
Depois mostra a cara,
De riso frouxo,
Dentes salientes,
Baba escorrendo
E soluço débil.
Nas costas, mãos,
Nas mãos a raiva,
Que como faca
E como punhal
Perfura carne,
Rasga tez,
Da epiderme,
Derme,
Vasos,
Tendões,
Artérias,
Ao coração.
E quando vemos
Não sobra nada!
Uma nação que ama odiar!
Que para se enganar,
Faz transplantes de córneas
Mas se frustra quando percebe
Que não existem transplantes de alma.