Máquina de moer

Cartola cantou
O mundo é um moinho.
Acertou como quem acerta a porra da Mega-Sena,
Acumulada
De tanto triturar sonhos.
Nada é o que queremos.
A vida sempre está lá para te nocautear,
Para te mostrar que você não é nada.
É só carne moída,
Para lá e para cá,
Dançando pela força motriz
Das engrenagens do universo.
É pó de gente,
Esmagado
Pelo pilão invisível
Mas que tem peso descomunal.
Toneladas de realidade
Esmagando cada osso do seu corpo
Até não sobrar mais nada.
Mas sempre sobra,
É o que dizem, pelo menos.
É aquele grão do que tu era
Jogado à terra como pérolas aos porcos,
Que enraíza e cresce,
Floresce
E segue,
Para não enxergar, mais uma vez, moinhos e pilões
Que teimam em se mostrar.
Mas nossos olhos só enxergam
Iscas acesas
Em telas de celular.

Somos peixes seguindo a luz da noite.
Pegos nas redes que a vida nos dá.

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