Ágatha

Ágatha não era Christie.
Não foi dela que saiu uma história de crime, como no Expresso Oriente.
Ágatha era a vítima, baleada numa van periférica, no Alemão.
E não era sequer a Alemanha, que confinava gente em trens à caminho da morte.
Era um complexo de guetos muito maior do que o de Varsóvia, que confinava gente em transportes irregulares e espaços indesejáveis, sendo caminho e destino de morte.
Não estamos na primeira metade do século XX.
É futuro que faz cosplay de passado e encontra na ignorância, a fé irrestrita em deuses que fazem apologia a assassinatos.
Snipers apóstolos com rifles cajados, que oram: dedo no gatilho, para transformar corpos negros em vinho tinto de sangue.
Ágatha não era Anne Frank e nunca estivera distante geográfica e imageticamente.
E isso, a classe média não perdoa.

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