Ágatha

Ágatha não era Christie.
Não foi dela que saiu uma história de crime, como no Expresso Oriente.
Ágatha era a vítima, baleada numa van periférica, no Alemão.
E não era sequer a Alemanha, que confinava gente em trens à caminho da morte.
Era um complexo de guetos muito maior do que o de Varsóvia, que confinava gente em transportes irregulares e espaços indesejáveis, sendo caminho e destino de morte.
Não estamos na primeira metade do século XX.
É futuro que faz cosplay de passado e encontra na ignorância, a fé irrestrita em deuses que fazem apologia a assassinatos.
Snipers apóstolos com rifles cajados, que oram: dedo no gatilho, para transformar corpos negros em vinho tinto de sangue.
Ágatha não era Anne Frank e nunca estivera distante geográfica e imageticamente.
E isso, a classe média não perdoa.

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Apartados

The dark side of Brazil, são os pretos nas favelas, ruelas, guetos, Sowetos, em contraste com os subúrbios verdejantes da Cape Town dos whites, descendentes da casa grande, ou miseráveis brancos fugidos de guerras e misérias eurocêntricas, e seus sonhos tropicais. Tropicalismo ariano versus miscigenação subtropical. E se por ventura em alguma serra do sul nevar, a branquitude do gelo dará o tom de velhas teorias ultrapassadas de clima e desenvolvimentismo opressor. Aonde foram parar os protomutantes desse país e o marrom orgulho que nos dava? Democracia racial, tão verdadeira quanto o paraíso idealizado por Mandela, ou a vida apartada de Terre’Blanche, contra a moça negra do clima.