Fenômeno fantasma

Dói.
Dói.
Tem dia que dói mais!
Quando acordamos com um vazio
Como o de um apartamento vazio,
Que já fora recheado de objetos e de amor.
E como dói!
Mas não é dor pontiaguda.
É uma dor vazia,
Como a dor do universo
Que inexiste dentro de um buraco negro,
Ou a dor de um membro amputado,
Que se sente, mas não está lá.
É uma dor que não dói comum.
É uma dor que dói faltando.
É a dor da inexistência de uma dor física,
Mas que na alma dói mais.
É dor como que caindo num poço sem fim,
Girando e girando
E nunca chegando ao fim.
Porque parece de fato não ter fim,
Nem impacto
Que faça cessar essa dor.
Só o vazio.
E no fim, parece que nos acostumamos
A sobreviver ou inexistir.

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